quarta-feira, 13 de maio de 2015

Mãos


Mãos

Mãos rasgadas pelo insulto
do rosmaninho sentido
pelo alvor da força cobarde

Mãos calejadas pelo odor
de sentimentos translúcidos
por épocas trasbordantes

Mãos trémulas    irrequietas
sob o olhar de uma criança
no pátio coberto de nuvens

Mãos sequiosas    firmes
pelo crepitar da lareira
esquecida no verão quente

Mãos esquecidas     silenciosas
na quietude do vai vem lunar
por terras férteis verdejantes

Mãos longas pelo fracasso
do tédio da vida sem rosas
no paraíso turbulento.

Pedro Valdoy

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