terça-feira, 19 de maio de 2015

Entre o Som e a Melodia


Entre o Som e a Melodia

Há melodias que trespassam
o meu ser num apagar
de memórias
num choro   em lágrimas
de verniz para um sofrimento
em paz com a música
transparente dentro do meu ser

Há notas suavizantes
para o meu ego
translúcido
numa secura dos tempos
que trespassam
meu corpo com a angústia
de uma era ingrata
para uma juventude
sem futuro

O grito sai de mim
num transparecer da melodia
agonizante
Na verdura de um jardim
no silêncio de uma criança

Mas a melódica
continuará numa esperança
em passos trespassados
duma agonia sonhada
e ultrapassada.

Pedro Valdoy


Campos e Campos


Campos e Campos

Por campos celestiais
no infinito da beleza
sentia o odor primaveril
de algo que me confunde

Perdido sem saber porquê
procurava a flor do amor
por terras paradisíacas
no aroma sentimental

As águas de correntes
bruxuleavam na insensatez
de uma pétala indecisa
beijada pelo vento

Meu corpo estremecia
na dúvida da palavra
que esvoaçava em minha mente
cravejada de diamantes

Mas as palavras soltam-se
no poço do amor
na valquíria Wagneriana
no passeio sem fim...

Pedro Valdoy



Encanto


Encanto

No encanto das sereias
navegam marinheiros
por oceanos de flores

Na solidão dos mares
chocam-se valores
na imensidão perdida

Por canteiros de rosas
as áleas dos pardieiros
desenvolvem-se tranquilas

No vislumbre ao luar
as ondas saltitam
para a heroicidade do marinheiro.


Pedro Valdoy

Pétalas Perdidas


Pétalas Perdidas

Há pétalas
sobre campos ensaguentados
por seres cruéis
através de séculos
prenhes de lutas

Há homens criminosos
em busca de liberdades
por mortes imaginárias
em estradas asfaltadas

Punhais dilaceram
corpos sãos
com crianças ao colo

É o mundo de sonhos
de crueldades estranhas
na contagem dos dias
para seres esfarrapados.

Pedro Valdoy


A Palavra Sincera


A Palavra Sincera

Na sagração divina
na sagração eterna
Deus é a Palavra
que está sempre presente

Com o cântico dos anjos
brilham as estrelas
estremece a maldade
foge para o infinito

Mestre dos Mestres
cria uma aura invisível
na protecção da humanidade
muitas vezes incompreendida

Soam os choros infantis
para o renascer
de uma nova vida
uma nova esperança.

Pedro Valdoy



Ciclos Melódicos


Ciclos melódicos

A melodia encerra um ciclo
no odor de espaços vagos
por terrenos a espairecer
da sofreguidão das notas
na perenidade do século

A música sente-se por instrumentos
na vaga da onda escarpada
de jardins isolados pelo vento
das monções de estrelas cadentes
por teclados de um piano de cauda.


Pedro Valdoy

O Futuro Imaginário


O Futuro Imaginário

No trem imaginário
viajei para o futuro
sentindo um calafrio
ao ultrapassar a barreira

Vi o paraíso
coberto de flores
os pássaros chilreavam
na eternidade da Primavera

O amor entoava canções
melodiosas cheias de beleza
na alegria de um povo
trabalhador  feliz

A palavra guerra
fora banida dos dicionários
e as prisões deixaram de existir
numa humanidade franca e bela

As crianças brincavam
sem perigo
com toda a ingenuidade
em escolas perfeitas

O sono transbordou
para o quarto do poeta
sua mãe acordou-o
e então viu que era um sonho.

Pedro Valdoy


Flores


Flores

Flores
são pétalas de um amor
coberto de beijos
que atingem meu coração

São anos encontrados
ao sabor do vento
quando te vejo
na minha rua

Flores
são crianças encantadas
no jardim dos meus sonhos
cobertas de esperanças

São beijos de uma mãe
que não esquece o seu filho
com seus carinhos eternos
na fantasia de uma rosa.


Pedro Valdoy

A Melodia e o Sonho


A Melodia e o Sonho

Sonho pesadelos
num dedilhar do piano
na sonoridade melodiosa
de uma sonata

Beethoven estrangula-me
num relâmpago louco
na sintonia pianesca
da Appassionata

O delírio abre-me a febre
numa ousadia tresloucada
das teclas na brancura dos sons
são álamos esfuziantes

Que na loucura dos séculos
me transpõe na similitude
do dedilhar desconforme
no entontecimento da noite.

Pedro Valdoy



Chuva


Chuva

Cai chuva
no meu coração
talvez de um amor
esquecido

São gotículas
como setas
que caem do céu
a lembrar que ainda existes

Não   esquecido não estou
Aquele amor perdurou
e ainda hoje
o sinto
no palpitar do meu coração

Lembras-te
daquele jardim
onde o rouxinol
entoava seus trinados
em nosso redor?

Virás
como uma gota de chuva
de novo ao meu encontro?

Então
cânticos celestiais
entoarão em teu louvor
e as lágrimas de felicidade
cairão aos teus pés.


Pedro Valdoy

A Força de um Pescador


A Força de um Pescador

Ao pescador português

A bravura do mestre
bruxuleava entre as ondas
escamosas dos ventos
por entre mares bravios

Era a vida contra a natureza
incólume e fria
por traves do frágil barco
que teimava em resistir

Era o homem contra o mostrengo
no vendaval de vidas hesitantes
que mantinham hirtas e seguras
de través de pulso ímpio

O mostrengo rodava rodava
o pescador sorria na bravura
da pesca e teimava teimava
contra o perigo até à exaustão.


Pedro Valdoy

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Rumos da Vida


Rumos da Vida

Pelo mar sereno
caminha a nau da vida
como o choro de uma criança
ou um simples sorriso

Na vida existem degraus
sentimentais alegres
ou tristes cobertos de lágrimas
são oscilações de um rumo

Mas o percurso não pára
mesmo através das trevas
ou no caminho de uma montanha
onde até se podem ver outras vidas.


Pedro Valdoy

por entre o silêncio




por entre o silêncio

no rastro do silêncio
brotam as anémonas
de um amor singelo
com púrpuras de gelo

são fragrâncias da Primavera
no beijo eterno das abelhas
perante a beleza
de um florir inocente

ventos de Suão
deslizam por terras
na fertilidade do desejo
que acampa sobre nuvens

as formigas marcham
na intempérie da estação
em busca do futuro
por caminhos perigosos.


pedro valdoy

Inquietações


Inquietações

A sonorização de uma voz
por sonhos desconexos
espraia-se rodeia-me
na quietude do meu ser

A suavidade entrelaça-se
na escuridão no desassossego
de seres tranquilos
por campos verdejantes

Na imaginação o silêncio
disfarçado por aquela voz
na infinitésima parte
de uma simples partícula.


Pedro Valdoy

Bravura


Bravura

Ao pescador português

A bravura do mestre
bruxuleava entre as ondas
escamosas dos ventos
por entre mares bravios

Era a vida contra a natureza
incólume e fria
por traves do frágil barco
que teimava em resistir

Era o homem contra o mostrengo
no vendaval de vidas hesitantes
que mantinham hirtas e seguras
de través de pulso ímpio

O mostrengo rodava rodava
o pescador sorria na bravura
da pesca e teimava teimava
contra o perigo até à exaustão.

Pedro Valdoy



Fragilidade


Fragilidade

A semente derrete
uma doce lágrima
na fragilidade da terra

Ao luar desenvolve-se
na pachorra das horas
no badalar de um relógio

Furtivamente cresce
na vergonha insondável
dos homens gananciosos

Pelo jardim as pétalas
adormecem no silêncio
do cauteloso jardineiro

Mas a semente rebenta
por semanas imorredoiras
nas trevas infinitas.

Pedro Valdoy


Caminhando


Caminhando

Atravessa o mar na ondulação
da vaidade por caminhos
radiosos no relevo da planície

O azul do mar domina os deuses
de madeira meia podre pela prece
da ignorância do homem

O estalar do tronco ferve
num bule de porcelana
na sujidade dos tempos passados.


Pedro Valdoy

Sinfonia da Vida


Sinfonia da Vida

No calor da ternura
meus passos na leveza do ser
soam a melodias
na sinfonia da vida

Por caminhos sinuosos
minha alma solitária
transparece na divindade
de algo fantástico

As estrelas brincalhonas
sorriem e saudam-me
com o acompanhamento
magistral melódico

Meus sentimentos diluem-se
num tempo de desejo
de paz inconfundível
com o sorriso de uma criança…


Pedro Valdoy

Gratidão


Gratidão

Vejo a paisagem as estrelas
na beleza do Universo
enquanto as horas rolam
e transpõem barreiras

Graças Senhor
por permitir o que observo
os acontecimentos
por vezes inesperados

A beleza que nos rodeia
quando há paz
serenidade
o sorriso de uma criança...

Pedro Valdoy


Meditando


Meditando

Apoio-me na lassidão do mar
na ondulação lenta e calma
num desabrochar
pelas areias da praia sonolenta

Sinto os passos pela calçada
de um pedinte do bairro
sedento de ternura e compaixão
na noite coberta de gelo humano

Apoio-me na ingenuidade
de uma criança de farrapos
na alegria ingénua
de uma escola da sua meninice.

Pedro Valdoy


domingo, 17 de maio de 2015

Universo


Universo

Talvez o Universo
na sua infinita visão
seja o complexo do ser
na saciedade do ter

Talvez a Terra
na sua infinda dor
sinta o paladar
de uma humanidade

Talvez o microcosmos
desenraíze o sistema
da criança sôfrega
pelo saber incógnito

Talvez a harmonia
se sinta enlouquecida
por dádivas loucas
no mistério da vida.


Pedro Valdoy